Que venham as mudanças!

Vez ou outra, a vida nos confontra com o fato de que nem sempre as coisas acontecem como gostaríamos. Não importa o quanto a gente planeje, deseje e se empenhe para que algo se realize, às vezes o projeto jamais sai do papel. Por mais certeza que tenha de que sua escolha é a certa, por mais que dê tudo de si para que ela se concretize, vez ou outra, bom… seu mundo vai cair. Seu grande amor não voltará, você não ganhará uma promoção, seu time será eliminado da Libertadores. Pois é, o São Paulo não se classificou, o velocista jamaicaino Usain Bolt perdeu sua invencibilidade de dois anos e 14 vitórias seguidas nos 100 metros para o americano Tyson Gay e Kaká foi operado, provando que de fato não estava apto para atuar na Copa do Mundo. Todos exemplos de vontade e talento que, por diferentes motivos, não resultaram em vitória. Mas resultaram, por outro lado, em mudanças. E mudanças, sejam elas estruturais ou comportamentais, são sempre bem-vindas. São elas que nos obrigam a reavaliar certezas, redirecionar o foco e, enfim, evoluir.

Sucesso

Eu só queria deixar registrado o quanto fiquei triste que meu amigo Marcio, são-paulino, foi até o Morumbi, naquele frio, só para ver o Tricolor ser eliminado. Marcio, lembre-se: o sonho não acabou – eu guardei um pedaço do que você me deu no dia seguinte à eliminação do Corinthians, em maio, depois daquele jogo contra o Flamengo. Tá lembrado?

Coluna publicada no jornal MAIS em 8/08/2010

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Lembranças da Copa

Diremos que a vida segue…

Nós diremos que a vida continua. Que foi só um jogo e que nada vai mudar por causa desse resultado. Nós nomearemos “culpados” e, sobre eles, descarregaremos toda a nossa raiva e frustração. Nós pensaremos “como somos idiotas” por torcer tanto para quem, à vezes, parece nem lembrar que existimos. Nós transformaremos a paixão por futebol em “patriotismo burro”, só para amenizar um pouco a sensação de amantes que, ingênuos, se entregam só para sair com um coração partido. Nós faremos piadas! Muitas piadas para, com graça, esquecer um pouco da desgraça e seguir em frente. Nós retomaremos o amor pelo “time do coração” e diremos que “só ele importa”. Nós celebraremos a derrota argentina e o choro de Maradona como se a Holanda jamais tivesse feito aqueles gols. É, nós diremos que a vida continua. Ela continua apesar da raiva, da mágoa, das lágrimas… da derrota. Nós diremos que ela continua.

E quem vai nos consolar?
Nesta briga entre o Dunga e a imprensa quem saiu perdendo foi o torcedor. O torcedor que não conseguiu jamais comemorar uma vitória brasileira sem antes ser “alertado” sobre o próximo jogo e sobre as dezenas de “pontos falhos” do time escolhido pelo técnico. O torcedor que não ouvia os jogadores nem pode ter seus gritos de apoio ecoados para os atletas lá na África. O torcedor que até agora não sabe direito o que aconteceu. Com o Dunga, com a imprensa, com aquele segundo tempo…

Coluna publicada no jornal MAIS em 04/07/2010

Debate ou blá-blá-blá?

Não tem jeito: se há um grupo de homens reunido, o assunto futebol
inevitavelmente vira pauta da conversa. Aliás, se o ambiente for
favorável (pense em um bar), bastam dois representantes do sexo
masculino para temas como a validade do Mundial de Clubes conquistado
pelo Corinthians em 2000 ou a qualidade do time de Dunga virarem debates
fervorosos.
Para quem está no bate-papo, o assunto parece a grande discussão do
momento, com resoluções capazes de mudar o mundo. Mas, para os que
apenas observam, em especial se a pessoa não é lá muito fã do esporte
(pense em grande parte das mulheres), tais falas soam como repetidos
blá-blá-blás em entonações variadas. Para este mero espectador, que
inevitavelmente enfrentará perguntas como “lembra disso?” ou “não
concorda comigo?” e para as quais não tem ideia da resposta, minha dica
é: saia de fininho. Ou então aprenda quem, afinal, é esse tal de André.

Mulheres e futebol
Se você de fato deseja a companhia de uma mulher (deseja mais do que
provar ao amigo que o Neymar deveria ter ido à Copa), mas a conversa da
galera debandou para o futebol, procure:

1- pelo menos situar a moça. Por exemplo, não diga só “Mourinho”, mas “Mourinho, técnico do Real Madrid, onde joga o C. Ronaldo”.

2- jamais perguntar se ela lembra de um lance (a gente não lembra!).

3- mudar de assunto.