Os pecados dos clubes

Não se pode pensar em clube como uma empresa. O objetivo de uma empresa é lucrar, até para se manter na ativa. Se isso não acontecer, ela fecha e seus funcionários são demitidos. O mau desempenho de um time reflete em milhares de torcedores indignados e decepcionados. Um clube também precisa lucrar para evoluir, mas seu objetivo é vencer. Mais do que isso, diria que é fazer a vontade de seus fieis (que, afinal, são quem bancam o clube). Bom, esse é o lado prático da coisa.

Em uma análise mais romântica – e fanática – um time é como uma divindade a quem devotados torcedores dedicam corpo, alma e lágrimas na esperança de obter a graça desejada. Se pensarmos por este lado, é irônico como dirigentes, técnicos e jogadores tripudiam sobre os chamados “pecados capitais”.

Da avareza (apego sórdido ao dinheiro) à soberba (arrogância), da inveja (desgosto pelos bens alheios) à preguiça (demora em agir), da gula e ira à luxúria (apego à sensualidade), o fiel do futebol recebe outra lista de pecados de seus ídolos e figuras emblemáticas: Não torcerás a favor do seu time se a vitória beneficiar um rival; não respeitarás títulos dos adversários se, na sua cabeça, eles forem injustos; não admitirás que o seu time está uma b%$#a, preferindo culpar o juiz…

De onde vem?

Segundo o site www.brasilescola.com, pecado é um termo usado para descrever qualquer tipo de desobediência a Deus. Um pecado capital é aquele que necessita de confissão, arrependimento e, às vezes, penitência (na visão católica) para que a alma seja purificada.

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No fundo, eu gosto do Palmeiras

Eu gosto do Palmeiras. Gosto da tradição do time e da torcida, com seus septagenários de boinas marrom, famílias divertidas e grupos de amigos que cresceram juntos. Gosto das bandeiras italianas misturadas ao “alviverde imponente”. Mesmo a região onde fica o Palestra: assim como a torcida, o Bairro de Perdizes parece sustentar um clima de… fraternidade.

Gosto do Marcos e de seus mais de 500 jogos defendendo o gol palmeirense. Sem falar no Felipão! Técnico que deu o penta ao Brasil em 2002, não tem como não gostar. Acima de tudo, no entanto, o que eu mais gosto no Palmeiras são meus amigos palmeirenses. Ao contrário de muitos que torcem para outros times, eles (ainda) têm um amor pelo jogo que ultrapassa o simples prazer de vencer. Há os que discutem futebol usando títulos como argumento e há os palmeirenses que, mesmo com toda a sua tradição e suas vitórias, conseguem dialogar sobre o esporte sem perder o foco no que realmente importa: o Palmeiras.

Por isso gostaria mesmo de ter como consolar meus colegas nessa fase (alvi)negra do Brasileirão – e da Sul-Americana! -, mas, infelizmente… a diretoria do Palestra, aqui, parece ainda pior do que o Berlusconi lá na Itália…

Ai, veneno…

Tem que gente que adora jogar um veneno, né? Pode ser aquele tipo direto, que solta opiniões como “só estou sendo sincero, o cara é fraco!”, ou indireto, com maldades veladas sob elogios: “nossa, ela é mesmo linda. Nem sei como o ex a trocou pela amiga…” O segundo exemplo, particularmente, me incomoda mais. Porque, além de falar mal de outra pessoa, ainda supõe que você é uma idiota que vai cair nessa.

Tudo bem, sempre temos uma intenção por trás do nosso discurso. Mas, na maioria das vezes, é simplesmente expressar uma opinião ou interagir na conversa. Agora, em inúmeras outras ocasiões, a ideia é influenciar ou manipular o ouvinte de alguma forma. E isto também não precisa ser, necessariamente, negativo. Quando digo para uma amiga que “jogar futebol emagrece”, não estou preocupada com a boa forma da preguiçosa, mas tentando convencê-la a se unir à pelada de terça! Ou seja, quero manipulá-la. A pergunta é: até onde podemos ir nessa vontade de convencer, persuadir? Para sair do clichê do “bom senso”, voto em atentar para mentiras, ofensas e falas que possam prejudicar o outro (ou outros) de alguma maneira. Captou, Juvenal?

Pegou mal

Na última terça (19), o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio (ô, nominho, hein?), criticou Itaquera, bairro de SP onde será construído o estádio do Corinthians – e possível sede da abertura da Copa. “Para você chegar lá precisa chamar o Corpo de Bombeiros”, foi uma das alfinetadas. Os corintianos, claro, não gostaram. Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, claro, também não. Mas, principalmente, quem não gostou foram os moradores do bairro. Tem gente que mora lá, sabia? Apesar da disputa política, da rivalidade no futebol… tem gente que mora lá.

(ah, e uma curiosidade: o final da placa do carro de Juvenal é “2014”… será que ele estava – ou ainda está – contando com a abertura da Copa no Morumbi?)

O verdadeiro Davi

De um lado, Luiz Felipe Scolari e um currículo que inclui 15 títulos nacionais e internacionais – sem contar uma Copa do Mundo (2002) -, experiência de quase 30 anos e R$ 700 mil mensais de salário. Do outro, Sérgio Baresi, que, nestes pouco menos de seis anos como técnico, conquistou uma Copa São Paulo de Futebol Júnior e… só. Salário? Vamos chutar (bem) alto: nem um décimo do que ganha Felipão.

Vendo por esse lado, o clássico de ontem parecia mais um embate entre o gigante Golias e o menino Davi. Mas bastava uma olhada na tabela do Brasileirão para ver Palmeiras e São Paulo juntinhos, na 11a e 12a posição, respectivamente. E não eram somente os números no campeonato que aproximavam os técnicos: além de comandarem um grande time, ambos vinham de séries de derrotas (permeadas por algumas poucas vitórias), vira e mexe estavam na delicada posição de “se explicar” para dirigentes, torcedores e imprensa e, se tudo isso não bastasse, lideram equipes que simplesmentem pareciam não engrenar!

Se, no final da batalha mitológica entre Davi e Golias, o primeiro derrotou o segundo usando uma simples funda (espécie de estilingue), neste cenário tenso e por vezes entediante que figurava os jogos de Palmeiras e São Paulo, a esperança era que o verdadeiro Davi do clássico, a torcida, pudesse sair vitoriosa dessa longa e frustrante batalha contra o temido gigante da “crise”. Se saiu? Descontado o enfadonho primeiro tempo, o grupo tricolor certamente sentiu que o seu interino e a boa surpresa Lucas/Marcelinho acertaram em cheio o “Golias” da má fase. Bom, pelo menos nesta rodada…

E Felipão?

Ainda vem de séries de derrotas (permeadas por algumas poucas vitórias), vira e mexe está na delicada posição de “se explicar” para dirigentes, torcedores e imprensa e, se tudo isso não bastasse, lidera uma equipe que simplesmentem não engrena! O que mudou? Passou da 12a para a 13a posição na tabela e, expulso, foi de “precisamos de tempo para melhorar” para “a arbitragem está me perseguindo”…