Time mediano

Mediano. Nem bom, nem mal. Não tem grandes ideias no trabalho, mas sempre faz o que pedem. Não é o amor da vida de alguém, mas se dá bem com a sogra. Tem gente que é assim, passa a vida toda na zona intermediária. Por insegurança, preguiça ou mesmo arrogância, esse cara dificilmente briga pelo título. Suas vitórias são para disfarçar as (feias) derrotas, proporcionando alegrias como se apenas para munir a cegueira (ilusão necessária?) dos que insistem em admirá-lo. E ele parece bem assim. Até, claro, ver cair em suas mãos a oportunidade de “expor” aquele que, por suas conquistas, acaba por evidenciar a vergonhosa campanha de quem tinha tudo para estar no topo – e não está. E então, salivando por vingança (não do outro, mas de sua própria mediocridade), nosso amigo mediano dá à inveja o nome de rivalidade, une-se a quem chamava de inimigo e, com gosto, questiona: “é este o grande?”

Mas aí já é tarde. Com sua fragilidade escancarada, ninguém mais olha para o “perdedor” que o mediano insiste em apontar. Todo mundo já percebeu que o perdedor é, na verdade, aquele que, de tão insosso, só pode mesmo contar com a derrota alheia para se sentir menos… sofrível.

Entregar?

Impressionante a atuação de Deola no gol do Palmeiras no jogo contra o líder Fluminense. Não só porque o paranaense não é exatamente conhecido pelas boas defesas que fez no último domingo, mas por resistir à pressão da torcida alviverde, abertamente torcendo a favor do adversário e, com isso, contra o rival Corinthians. Como previsto, o time carioca ganhou (2 x 1). Como previsto, o Palmeiras permanece na zona intermediária. 

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Chega de sofrimento

No dia seguinte à festa do centenário corintiano, em setembro, um colega que muito admiro comparou o torcedor alvinegro com um religioso: pois tanto um fiel quanto o outro parece interpretar a desgraça como um sinal divino de que é preciso aumentar a adoração, revigorar e fé e continuar acreditando em uma virada. “Os cem anos do Corinthians se passaram sob o signo do sofrimento. Quanto mais dor, mais amor!” escreveu Valdomiro Neto em sua coluna no Diário LANCE! do dia 1 de setembro.

Quer saber de uma coisa? Estou um pouco cansada dessa carapuça de sofredor tão pateticamente enaltecida pelos corintianos. Mais dor, mais amor o caramba! O futebol, como a vida, já é uma experiência carregada de emoções fortes, com lances inesperados e desfechos surpreendentes. Não há quem ganhe tudo e nem quem perca sempre. E isto basta para tornar o jogo interessante. Mais sofrimento para quê?

Vai entender…

Em novembro, na “final antecipada” entre os dois primeiros da tabela do Brasileirão (na época), o Corinthians venceu o Fluminense por 2 x 1, no Engenhão, e só não virou líder por causa do saldo de gols entre os dois times. No último domingo (10), Fluminense e Cruzeiro, os dois primeiros da tabela hoje, disputaram outra “final antecipada” (o clube mineiro levou a melhor). E o Corinthians? Pois é… deve estar testando o amor e a devoção de seus fiéis.

O dia em que sequei o Corinthians

“Tão bom que nem parece verdade.” Quem nunca ouviu essa expressão? Ela costuma permear relatos sobre o início de um relacionamento, uma função desejada no trabalho, a viagem dos sonhos… e também a boa fase do seu time no campeonato. Em especial se o seu time não é exatamente um São Paulo (bom, o que o São Paulo costumava ser, pelo menos).
Mas, assim como dá um medo sair por aí falando das coisas boas que acontecem na nossa vida, como se dizê-las em voz alta fosse boicotar a própria felicidade (sim, essas besteiras que para nós não são besteiras!), dá um frio na barriga proferir, em qualquer conversa boba, que “meu time vai ser campeão este ano”. Não somente porque muita coisa pode acontecer nessas 13 rodadas e seria, mesmo, muita pretensão afirmar tal maluquice, mas também porque… ai, ficar tanto tempo jogando bem, com um elenco arrumado e de fato vencendo… parece mesmo bom demais para ser verdade.

O pouco vira muito

Engraçado como os principais times de São Paulo, neste Brasileirão, estão tão mal que qualquer vitória já é vista como espécie de “sinal divino” de que “as coisas vão melhorar”. Pensando por este lado, um clube que, desde o começo do campeonato, só ocupou as duas primeiras posições na tabela, está em excelente fase! Excelente ano! Quer dizer… esquece isso. Melhor não ficar falando…

(este texto foi publicado no Jornal MAIS, no domingo, 26, dia em que o Corinthians jogou contra o Inter e perdeu não só a partida, por 3 x 2, como também a primeira posição na tabela do Brasileirão, já que o Fluminense ganhou do Vitória, em Salvador, por 2 x 1)

Pois é. Eu ziquei o meu time.

O título, 15 anos depois

Pergunte para qualquer santista sobre o jogo que marcou sua vida. A resposta certamente será a semifinal do Campeonato Brasileiro de 1995, contra o Fluminense, quando o camisa 10, Giovanni, deu um show de bola e garantiu para o Peixe a vitória por 5 a 2. Muitos torcedores alvinegros, inclusive, dirão que foi justamente essa partida que os inspiraram a torcer para o Santos. Um homem, um jogo e milhares de “novos” torcedores conquistados, fascinados, apaixonados. Algo como o que o São Paulo de Telê fez à torcida tricolor em 92. Algo como o que esses “meninos da Vila” podem fazer, novamente, pela torcida santista em 2010. Restaurar a paixão pelo time o quarteto dançarino já conseguiu. Resta ver, hoje, se esses novos ídolos serão lembrados, em 15 anos, não só por darem ao Santos o título do Paulista de 2010, mas por terem encantado os fãs de futebol ao ponto de eles virarem… santistas.

Para lembrar

O “jogo da vida” de muitos santistas aconteceu no dia 10 de dezembro de 1995. Santos e Fluminense se enfrentavam pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Brasileiro, no Pacaembu. Na ida, os cariocas golearam por 4 a 1. O Peixe precisava de pelo menos três gols de diferença para chegar à decisão. Sob a magia de Giovanni, o Santos fez 5 a 2. Na final, perdeu para o Botafogo. Agora, 15 anos depois, o Messias pode, pela primeira vez, conquistar um título pelo Santos.

Coluna publicada em 02/05/2010 no jornal MAIS