Conto

Bia mata Justino. Justino fica triste. “Morrer eu até morro, mas ir para o céu, ninguém merece!” Queria mesmo é ir para o inferno. Lá, poderia se vingar da esposa que o assassinou. Pelo menos isso ele achava… Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, Justino chegou no éden e descobriu que a vingança é melhor no paraíso do que no inferno. É que no céu ele fica feliz – como nunca se sentiu com a mulher, diga-se de passagem – enquanto a esposa, na terra, tem que lidar com o amante bebum que só sabe pedir dinheiro. O problema foi quando Justino, agora com um bocado de tempo livre, resolveu dar uma espiada na mulher lá de cima. Como foi péssima essa ideia! Ele viu o terceiro depois dele jogando pelada com o pessoal do bairro e… não é que o fulano fazia mais gols? Justino não se aguentou. Marcou audiência com Deus e foi direto ao ponto: “Traído e assassinado por aquelazinha eu até suporto, mas colocar um atacante melhor do que eu para jogar no time, pô, aí é sacanagem!” Então Justino foi para o inferno. Mas não gostou. Lá é que tinham atacantes bem melhores do que ele.

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A Maratona de Domingo

 
Domingo é dia de jogo e, para maioria das brasileiras comprometidas, dia de “perder” o amado por, pelo menos, quatro horas. Afinal, no “pacote jogo” também estão incluídas as mesas redondas e os tapes dos melhores momentos (da partida que ele acabou de assistir e de todas as outras da rodada, lógico).
Não que o ciúme da mulherada seja completamente descabido, afinal, com uma semana cheia, domingo acaba sendo mesmo o melhor dia para namorar um pouquinho. Só que é o melhor dia para ela, né? E não para quem aos oito anos já vestia a camisa do time e sabia exatamente o que aquelas cores significavam. Aliás, o uniforme é a chave para, se não ganhar, pelo menos empatar a briga do domingo. Explico mais isso logo abaixo. Por ora, é melhor me preparar para a maratona, pois hoje é dia de definição dos finalistas do Paulistão…

Sabe o que é Louboutin?
Compare o futebol, na vida de um homem, com a moda, na rotina de uma mulher. Da próxima vez que a patroa reclamar da chatice que é ver uma partida, lembre-a do “porre” que é esperar ao lado de fora do provador enquanto ela experimenta dezenas de roupas. Da mesma forma, entenda que o nome Thierry Henry, para ela, é tão comum quanto Louboutin é para você. A propósito, Louboutin é um estilista de sapatos!

Coluna publicada em 18/04/2010 no jornal MAIS