Sofrer por prazer

Que mania é essa de torcer para a zebra, hein? Sem o nosso favorito em campo, não pensamos duas vezes ao acolher o “coitadinho” como razão de nossos gritos e expectativas. Se há um “candidato ao título”, então, aí é que torcemos com gosto para o azarão!

Um estudo americano, de 1991, colocou o seguinte cenário para mais de 100 universitários: dois times, A e B, se enfrentariam em uma competição envolvendo sete jogos de um esporte não identificado, sendo o time A o favorito. Resultado: 81% dos estudantes escolheram torcer para o time B. Então pediu-se que os universitários imaginassem que o time B de alguma forma conseguiu vencer os primeiros três jogos. O que aconteceu? Metade dos que decidiram torcer para o time B mudaram de ideia, passando a apoiar o time A.

A explicação científica para o famoso “gostar de sofrer” é a seguinte: o torcedor, considerado um hedonista pelos pesquisadores, sempre quer sentir o máximo de prazer possível. Assim, com o time do coração fora da jogada, escolherá torcer para a opção que mais provavelmente lhe garantirá fortes emoções e até, quem sabe, o êxtase da superação. Por isso, entre uma partida acirrada e um jogo dominado por um favorito (um que de fato honre a fama), o torcedor opta por apoiar a zebra. Se ela perder, tanto faz, “não é meu time mesmo”. Mas, se ela vencer… haja coração!

Hedonismo recompensado

No jogo de hoje entre o Internacional, do Brasil, e o Mazembe, da República Democrática do Congo, a zebra levou a melhor – e com dois golaços. O time brasileiro, favoritíssimo a chegar na final do Mundial de Clubes, nem sequer balançou a rede do divertido goleiro Kidiaba. Agora é esperar a partida entre a italiana Inter de Milão e o desconhecido – porém empolgado – Seongnam, da Coreia do Sul. Preciso dizer quem é a zebra desde jogo?

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O dia em que sequei o Corinthians

“Tão bom que nem parece verdade.” Quem nunca ouviu essa expressão? Ela costuma permear relatos sobre o início de um relacionamento, uma função desejada no trabalho, a viagem dos sonhos… e também a boa fase do seu time no campeonato. Em especial se o seu time não é exatamente um São Paulo (bom, o que o São Paulo costumava ser, pelo menos).
Mas, assim como dá um medo sair por aí falando das coisas boas que acontecem na nossa vida, como se dizê-las em voz alta fosse boicotar a própria felicidade (sim, essas besteiras que para nós não são besteiras!), dá um frio na barriga proferir, em qualquer conversa boba, que “meu time vai ser campeão este ano”. Não somente porque muita coisa pode acontecer nessas 13 rodadas e seria, mesmo, muita pretensão afirmar tal maluquice, mas também porque… ai, ficar tanto tempo jogando bem, com um elenco arrumado e de fato vencendo… parece mesmo bom demais para ser verdade.

O pouco vira muito

Engraçado como os principais times de São Paulo, neste Brasileirão, estão tão mal que qualquer vitória já é vista como espécie de “sinal divino” de que “as coisas vão melhorar”. Pensando por este lado, um clube que, desde o começo do campeonato, só ocupou as duas primeiras posições na tabela, está em excelente fase! Excelente ano! Quer dizer… esquece isso. Melhor não ficar falando…

(este texto foi publicado no Jornal MAIS, no domingo, 26, dia em que o Corinthians jogou contra o Inter e perdeu não só a partida, por 3 x 2, como também a primeira posição na tabela do Brasileirão, já que o Fluminense ganhou do Vitória, em Salvador, por 2 x 1)

Pois é. Eu ziquei o meu time.