O dia em que sequei o Corinthians

“Tão bom que nem parece verdade.” Quem nunca ouviu essa expressão? Ela costuma permear relatos sobre o início de um relacionamento, uma função desejada no trabalho, a viagem dos sonhos… e também a boa fase do seu time no campeonato. Em especial se o seu time não é exatamente um São Paulo (bom, o que o São Paulo costumava ser, pelo menos).
Mas, assim como dá um medo sair por aí falando das coisas boas que acontecem na nossa vida, como se dizê-las em voz alta fosse boicotar a própria felicidade (sim, essas besteiras que para nós não são besteiras!), dá um frio na barriga proferir, em qualquer conversa boba, que “meu time vai ser campeão este ano”. Não somente porque muita coisa pode acontecer nessas 13 rodadas e seria, mesmo, muita pretensão afirmar tal maluquice, mas também porque… ai, ficar tanto tempo jogando bem, com um elenco arrumado e de fato vencendo… parece mesmo bom demais para ser verdade.

O pouco vira muito

Engraçado como os principais times de São Paulo, neste Brasileirão, estão tão mal que qualquer vitória já é vista como espécie de “sinal divino” de que “as coisas vão melhorar”. Pensando por este lado, um clube que, desde o começo do campeonato, só ocupou as duas primeiras posições na tabela, está em excelente fase! Excelente ano! Quer dizer… esquece isso. Melhor não ficar falando…

(este texto foi publicado no Jornal MAIS, no domingo, 26, dia em que o Corinthians jogou contra o Inter e perdeu não só a partida, por 3 x 2, como também a primeira posição na tabela do Brasileirão, já que o Fluminense ganhou do Vitória, em Salvador, por 2 x 1)

Pois é. Eu ziquei o meu time.

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Lembre-se do Neymar

Tem uma parte do “Poema em linha reta”, do português Fernando Pessoa, que diz assim: “Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe. Sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?” Engraçado como às vezes a gente tem mesmo essa sensação, não é? De que apenas “a idiota aqui” erra e passa vergonha. Mas, olha, vou contar duas coisas que descobri há algumas semanas: todo mundo se sente assim em algum momento do dia. Não do mês ou da semana, do dia. Pode ser culpa do chefe que exagerou na bronca ou do buraco na rua que fez com que tropeçasse. Você vai se sentir meio bobo. A outra descoberta é que, com a mesma frequência, tem gente por aí pagando micos muito maiores e em escala nacional. Veja o Neymar, do Santos, e sua “cavadinha” malsucedida, por exemplo (no dia 29 de julho, no jogo contra o Vitória, que o Santos ganhou por 2×0). Imagine como ele se sentiu na hora e depois, com toda a gozação em cima do “feito”! Pois então, na próxima vez que escorregar na rua, logo após disfarçar e seguir como se nada tivesse acontecido, lembre-se do Neymar e tudo ficará bem. Sério, funcionou para mim ;-)

Coluna publicada no jornal MAIS, em 1/08/2010